sexta-feira, 25 de março de 2011

AS MULHERES E OS MUSEUS



O Ibram prossegue em sua homenagem à mulher neste mês de março, contando a história de mulheres que influenciaram, de alguma forma, a criação de museus brasileiros. A aristocrata Eufrásia Teixeira Leite (Museu Casa da Hera – Vassouras, RJ), Arminda Neves de Almeida (Museu Villa-Lobos – Rio, RJ) e as mulheres artistas de Caeté (Museu Regional de Caeté – MG) foram decisivas, cada uma de sua maneira, para esses museus.

Eufrásia Teixeira Leite, uma mulher visionária - Nascida numa família de barões do café, Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930) foi em tudo uma mulher à frente de seu tempo. Natural do município de Vassouras (RJ), deixou sua terra natal aos 23 anos, após a morte dos pais, para viver com a irmã na França, onde passaria quase 50 anos. Herdeira de uma fortuna, multiplicou várias vezes sua herança graças a sua ousadia e tino para os negócios. Foi a primeira brasileira a entrar na Bolsa de Valores de Paris.

Além de grande financista e empreendedora, Eufrásia foi pioneira no campo do comportamento: um século antes do feminismo já pregava a autonomia feminina. Manteve durante 14 anos um romance pouco convencional para os padrões da época com o abolicionista Joaquim Nabuco e, mesmo apaixonada, preferiu abrir mão do casamento para manter sua liberdade.

Ao morrer no Rio de Janeiro aos 80 anos, sem descendentes, deixou sua fortuna para instituições educacionais e de assistência social da cidade de Vassouras. E legou ao Brasil, em perfeito estado de conservação, a casa do século XIX onde nasceu e cresceu, que hoje abriga o Museu Casa da Hera, vinculado ao Ibram.

Tesouro bordado - As mulheres artistas de Caeté (MG) também foram protagonistas na manutenção de um patrimônio cultural da cidade: o bordado de “bainha aberta”. As bainhas abertas provavelmente chegaram nas Minas Gerais com colonizadores portugueses no final do século XVIII e em alguns lugares sobreviveram e sofreram uma releitura.

No distrito do Morro Vermelho, em Caeté, no entanto, a tradição sobreviveu graças a Dona Lica e suas três filhas. Com isso, o Museu Regional de Caeté fez um registro e um levantamento das várias formas de fazer bainhas elaboradas por elas. Com isso, o museu passou a organizar uma oficina como forma de multiplicar esse saber secular, que precisava ser reavivado e divulgado na região.

Dedicação à preservação da obra de Villa-Lobos - A violinista Arminda Neves de Almeida (1912-1985) foi responsável pela criação do Museu Villa-Lobos e diretora da instituição durante 25 anos. Companheira e ex-aluna do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, com quem viveu desde 1936, teve mais de 50 músicas escritas por ele em sua homenagem.

Em 1960, um ano após a morte de Villa-Lobos, fundou o Museu Villa-Lobos, no Rio, e dedicou o resto de sua vida à preservação da obra do artista. O empenho de D. Mindinha, como era carinhosamente conhecida, foi fundamental para acelerar o processo de criação da instituição.

(Fonte: Boletim eletrônico Nº 346-ano VIII - 25/03/2011 a 1/04/2011
www.museus.gov.br

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